
Muitas Ilustrações são feitas com um propósito específico, outras são sínteses analíticas e críticas que as coadunam com um texto - narrativas gráficas singulares.
Outras há que são bonecada miúda.
O desenho procura uma representação visual de um objecto, em realidade aumentada, sendo que é filtrada pela percepção do indivíduo e representada pelo seu gesto; a marca de um movimento perpetuado pela sua visibilidade; no desenho é o gesto que marca o olhar independentemente do objecto referencial.
Na ilustração não.
O génio visível de uma ilustração é a representação em si mesma de um conceito abstracto que se forma pela linguagem gráfica de quem o cria, o que nos transporta directamente para o imaginário do autor e para o seu mundo comunicável. Uma possível abordagem seria considerar um almanaque de ilustração, ou uma compilação de objectos ilustrados, como uma edição de requinte na qual se privilegia o grafismo singular que traduz directamente a percepção e a comunicação do criador, no entanto esta denominação é tanto redutora como descabida. Em edições marcadas em Socialpragma, é privilegiada a fuga da intenção e legitimado o gesto ingénuo, deveras apto tecnicamente, que permite criar bonecada miúda que ilude o olhar comum com uma abordagem incomum a um conceito inexistente.
A forma livre e a despreocupação pelo conceito são ferramentas libertadoras para o criador, e servem propósitos genuínos aquando da sua criação estando aptas a ser o reflexo de si mesmas.
Formas livres e despreocupadas de conceito são ferramentas entorpecedoras para o criador e para o leitor, quando servem propósitos editoriais que compilam bonecada na forma de prodígio volumoso da ilustração contemporânea - miúdos que comem sortidos.