27 de abr. de 2010

Lê-me bem a capa



À primeira vista compreendemos que o rosto de um livro é o convite para a leitura; tecnicamente é tão melhor quanto mais se destacar das restantes, e deve evocar uma atmosfera específica; a ideal para se folhear uma obra com toda a entrega predisposta pelo convite da capa.
Numa análise mais atenta, o utilizador é convidado a compreender toda a minúcia objectíva da narrativa pelos apontamentos e notas simbólicas que o designer oferece como o curador de uma suarée requintada.
Numa viagem desatenta por uma secção de destaques, compreendemos que por vezes os curadores serão os mesmos, mas que no entanto, pela massa e pelo volume, o convite de informal destreza é um grito de atenção desesperado, que conta, sem notas musicais em azáfama disfónica, todos os símbolos que provam que cada história é a ideal para uma leitura de praia, pobre em conteúdo e tipografia.

Para o comprador, o livro é a sua capa, sendo que para o leitor, a capa já contou uma má história.

Numa secção de destaques, lê-se só a capa.

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